Antigos Banhos da Poça

Ex-libris daquele que foi o primeiro passo para a construção da Costa do 501,os recentemente recuperados Antigos Banhos da Poça, junto à praia do mesmo nome, datam de 1890, quando Luís Filipe da Matta e Carlos Tavares decidem formar sociedade para explorar as já então afamadas águas da região, com propriedades medicinais e particularmente indicadas para doenças de pele e reumatismo.

Sediado num edifício de cariz Romântico, torreado e com ameias, tornaram-se pelas suas características, condições logísticas e métodos terapêuticos praticados, num dos melhores Banhos do Mundo. Os Banhos da Poça foram igualmente primordial elemento dinamizador do desenvolvimento e crescimento da povoação de São João do Estoril.

Grutas da Alapraia

 

No centro da povoação de Alapraia, foram sendo descobertas grutas artificiais que no seu conjunto constituem uma necrópole formada por quatro túmulos subterrâneos (hipogeus). Escavados pela acção do Homem em terrenos de substracto calcário, estas grutas datam do último quartel do IV milénio a.C. e crê-se que continuaram a ser utilizadas para o mesmo fim durante quase todo o 111 milénio a.C. Em termos de tipologia, a Necróple da Alapraia apresenta hipogeus de “tipo coelheira”, estando bem definidos dois espaços principais – zona vestibular e câmara funerária.

O vestíbulo toma ora a forma dum corredor ou dum corredor seguido de antecâmara, comunicando com a câmara funerária por estrangulamentos circular ou em ferradura.

A câmara funerária em si configura-se como um amplo espaço circular, com abertura zenital, ao centro, em clarabóia. Ambos os espaços seriam cobertos por lages. A cultura dos povos da Alapraia de então e o seu magnífico espólio exumado podem ser revisitados no Museu dos Condes de Castro Guimarães, em Cascais; entre as ricas peças é de mencionar um interessante par de sandálias votivas em calcário.

Grutas de S. Pedro

 

Como aconteceu em Alapraia, também em S. Pedro foram descobertas duas grutas escavadas no calcário cenomaniano, que serviriam igualmente como necrópoles.

No entanto, ambas se encontram parcialmente destruídas pela erosão, conservando-se apenas parte da câmara funerária. Assim sendo, e à semelhança das grutas de Alapraia, supõe-se que também estas tivessem câmara funerária abobadada com clarabóia e corredor de acesso.

No seu interior foram descobertos númerosos crânios com as respectivas ossadas, acompanhados de oferendas rituais, destacando-se preciosos e raros anéis de ouro em espiral, diversas peças de cerâmica neolítica e campaniforme, machados, enxós, goivas de pedra polida, entre outros utensílios.

Capela do Livramento

 

Implantada no centro da povoação, no cruzamento de diversos arruamentos, a Capela do Livramento, em conjunto com o seu adro murado, fontanário e cruzeiro, constituem hoje imóvel de valor concelhio, perpetuando a memória colectiva do Livramento e do património cultural da freguesia do Estoril.

Construída no final do século XVIII, na sequência da destruição provocada pelo terramoto de 1755, o edifício de arquitectura religiosa barroca apresenta planta composta por nave longitudinal e capela-mor rectangular abobadada, à qual estão adossados lateralmente os corpos da sacristia e de uma pequena dependência. Apesar da época de construção datar de 1757 (conforme inscrição em lápide do frontispício) e do caril barroco, é de frisar a sobriedade da decoração, sendo de mencionar a balaustrada do coro do século XIX e o espólio artístico da capela-mor, composto pela imagem da Virgem com o Menino no camarim, ladeada pelas figuras de São Sebastião e de São José, sobre mísulas. É de notar a particularidade do acesso ao Coro-Alto se realizar pelo exterior do edifício. O fontanário do adro foi erigido posteriormente, cerca de 1923, conforme lápide datada

Casa da Lobeira II

Edificação contemporânea onde, após demolição para abertura da auto-estrada, foi descoberta uma antiga mina de ocre e diversos artefactos pertencentes ao Calcolítico.

Casal de Santa Teresinha

Localizado no Poente de Alapraia, foi aqui descoberta uma lápide romana adossada à parede dum tanque antigo, pertencente ao período Romano.

Casal Monserrate

Localizado na Rua Engenheiro Pedro Álvaro de Sousa nº 1, este edifício ao estilo Art Deco, foi mandado construir nos inícios de 1950 pelo Engenheiro Álvaro de Sousa, tendo sido entregue o projecto ao Arqº Porfírio Pardal Monteiro. No entanto, mais tarde, cerca de 1957 o edifício sofrerá uma ampliação levada a cabo pelo Arqº Rodrigues Lima.A importância deste imóvel reside não só no cuidado com que todos os detalhes foram projectados tendo em conta a funcionalidade, mas também pela especial riqueza decorativa da entrada principal em Art-Déco e do mobiliário de cozinha e das instalações sanitárias. Os jardins, que completam o conjunto, exibem painéis de azulejos e esculturas atribuídas a Leopoldo de Almeida. Hoje funciona como Centro de Dia para a Terceira Idade.

Cocheiras Santos Jorge

 

A Sul, junto à estação ferroviária do Estoril, o edifício das cavalariças projectado pelo Arq.o Norte Júnior, cerca de 1914, enquadra-se na Arquitectura de Veraneio dos anos 90 do século XIX e dos primeiros 30 anos do século XX, que largamente se difundiu na Costa do Estoril. Exibindo características próprias da arquitectura residencial romântica tardia, o edifício das cavalariças estava inicialmente programado para se inserir num conjunto habitacional mais vasto, que não se chegou a levar a cabo. É de notar os seus traços ecléticos e exóticos que acentuam a particularidade de, tendo sido construído primeiro que o palacete, ser mais rico em termos decorativos que este último, tendo sido constituído “Imóvel de Interesse Público” em 1996.

Forte de S. Pedro da Cadaveira

 

Também denominado pelo povo de Forte Velho, este edifício foi construído entre 1642 e 1643 (segundo lápide sobre o portal), na margem direita da Ribeira da Cadaveira. De arquitectura militar maneirista, o forte integrava-se na linha defensiva da costa construída no reinado de D. João IV, sendo então Governador das Armas de Cascais o Conde de Castanhede.O forte desempenhou um papel estratégico importante na defesa da Barra do Tejo. Com planta quadrangular, apresenta bateria voltada à praia e casa forte abobadada no lado oposto.

Forte de Santo António da Barra

Erguendo-se à entrada de São João do Estoril, num plano superior ao da praia e encoberto por denso arvoredo, este forte de características renascentistas, datando do século XVI, foi projectado por Frei João Vicenzo Casale e posteriormente ampliado e recuperado por Leonardo Turriano. O edifício militar exibe planta estrelada, característica da época, e foi construído com o objectivo de obrigar os navios inimigos (nomeadamente corsários ingleses e holandeses) a ficarem longe da costa, dificultando as manobras de acesso à entrada da Barra do Tejo.Morfologicamente adaptado ao terreno e ao maciço rochoso onde se ergue, o forte é ainda protegido por fosso, sendo que a sua planimetria faz dele um dos mais curiosos e complexos fortes de defesa da Barra do Tejo e um dos mais marcantes edíficios da Arquitectura Militar.

Forte de S. João da Cadaveira ou de S. Teodósio

 

Este forte com implantação sobranceira à Praia de S. João do Estoril, na margem esquerda da antiga Ribeira da Cadaveira (que lhe doou o nome), foi construído em 1642 e funciona presentemente como Posto de Observação da Guarda Fiscal.O forte maneirista com planta quadrangular exibe bateria voltada ao mar, casa forte no extremo oposto e fez parte dos fortes construídos como linha defensiva da Costa Portuguesa, levada a cabo por D. João IV.

Igreja de S.António do Estoril

Nas proximidades do Convento dos Salesianos, junto à Av. Marginal, ergue-se a Igreja Matriz de Santo António do Estoril. A sua construção, com data de 1527, foi no entanto levada a cabo sobre uma pequena Ermita dedicada a S. Roque. Já a zona do adro e cruzeiro foram erigidos sobre uma pequena capela dedicada a Santo António, a qual havia sido encomendada por Leonor Fernandes, proprietária da área circundante de nome Casal do Estoril. Esta igreja sofreu ao longo dos tempos grandes destruições e recuperações, sendo de mencionar a reconstrução após o terramoto de 1755, em que ficou quase totalmente destruída. Posteriormente, em 1927, voltou a ser alvo de infortúnio, após demolidor incêndio. Felizmente salvaram-se os azulejos pombalinos que foram restaurados e repostos segundo configuração original. O projecto de reconstrução foi da autoria do Arqº Tertuliano Marques, enquanto que a execução dos frescos ficou a cargo de Carlos Bouvalot, tendo sido respeitadas as suas características, segundo a informação disponível de épocas anteriores. Em termos da sua configuração arquitectónica, o templo apresenta planta de uma única nave rectangular, com cobertura em abóbada de berço, e duas capelas laterais, exibindo vãos de entrada em arco de volta perfeita. A fachada principal é constituída por 3 panos (correspondentes a 3 andares), em que o do piso térreo dá acesso à galilé (galeria à frente do portal de uma igreja, constituída usualmente por arcadas). No segundo pano temos vão de janela central com frontão curvo simples. Ao nível superior, a fachada principal é rematada com um frontão barroco ondulante com nicho central, onde repousa a imagem do Santo Padroeiro. Tanto as pinturas da cobertura, como os painéis de azulejos, ilustram cenas da vida do Santo António. Em termos do seu espólio artístico, há a sublinhar os retábulos de talha dourada das capelas laterais e capela-mor e as imagens notáveis de Santo António, da Nossa Senhora da Conceição, da Virgem e de Cristo. Na sacristia pode admirar-se uma pintura sobre madeira, representando O Calvário e escultura sobre a mesma temática, em vitrine, de estilo flamengo.

Quinta da Boa Vista

Nos finais do século passado, foram descobertas ruínas de fundações de casas anteriormente destruídas pelo fogo. Mais tarde foram encontradas no local lápides com inscrições e recolhidos vestígios da industria lítica dos seixos após abertura duma vala. O local abrange assim os períodos Paleolítico e Romano.